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Ato Contra a Intolerância Religiosa na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

1-07-2015

Nesta segunda feira, 29 de junho as 19h30, ocorreu um Ato contra a intolerância religiosa na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, Auditório Teotônio Vilela, pela iniciativa da deputada estadual, Iyálorìsà Clélia Gomes.

O ato contou com presença de diversos líderes religiosos: Candomblescistas, Mulçumanos, Judeus, Evangélicos, membros da sociedade civil, etc, e como destaque a presença da menina Kaylane Campos, candomblecista, apedrejada na saída de um culto no Rio de Janeiro. "Todos repletos do mais puro Asè, todos em busca de Shalom. 

A palavra Shalom, que se parace em forma e significado com a palavra Salam, do árabe, significa paz e deriva da palavra Shelem, esta significando plenitude e integralidade. Por isso, desejar a paz a alguém é desejar que aquele indivíduo possa estar pleno e tenha o direito de ser íntegro para se expressar e viver livremente todas as áreas de sua vida, seja social, cultural, sexual ou religiosa. Só podemos ter paz, só podemos gerar a paz se todos, sem exceção, pudermos exercer nossa cidadania plena e integral. 

Estar com meus irmãos judeus junto com meus irmãos do Candomblé e da Umbanda, num ato em favor da tolerância e do respeito à diversidade religiosa e cultural e produzir o mais puro Asè foi, sem dúvida, um ato mais do que cívico, foi um ato de humanidade. É  assim, e tão somente assim, estabelecendo pontes e mantendo o diálogo entre os irmãos de diferentes culturas e religiões que poderemos gerar o Asè necessário para engendrar um mundo melhor. Um mundo de paz!", Maurício Lanza, judeu, membro da REJU SP.

Nos causou estranheza a breve presença do deputado estadual Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada, o Coronel Telhada,dizendo defender a tolerância, democracia e o Estado Laico, sendo membro da frente política conhecida como "bancada da bala" de SP.

Conhecido por ser favorável a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, e por suas declarações após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em outubro de 2014, ao propor nas redes sociais que o Sul e o Sudeste se separassem do resto do país. "Por que devemos nos submeter a esse governo escolhido pelo Norte e Nordeste?"

O Ato seguiu com as falas e palavras de ordem das lideranças religiosas.O Babalaô Ivanir dos Santos da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR-RJ), afirmou que as agressões por intolerância religiosa são cotidianas em todo país.Segundo o mesmo, a falta de aplicação de medidas rigorosas por parte do Poder publico reforça a sensação de impunidade, reforçando a luta para que os agressores de Kaylane sejam identificados e respondam criminalmente não só por intolerância religiosa, mas, por tentativa de homicídio." É necessário a efetivação e garantia do Estado Laico assegurando o respeito a pluralidade cultural de nosso país e o direito de crença ou não crença".

Bàbá Pecê de Òsùmàrè frisou a importância da união de todo povo de Asè nesta luta,destacando que esta intolerancia não é apenas religiosa,mas,de origem racial. Se emocionou ao falar de Iya dedé de Oya,rogando aos Orisas proteção as religiões de matriz africana. A Iyalodê Juju ty Osun lembrou que "uma andorinha só não faz verão", dizendo que o povo de Asè, seja de Candomblé ou de Umbanda, tem que aprender a se respeitar como irmãos e irmãs que sofrem a mesma perseguição dos nosssos antepassados preservando o respeito a nossas tradições, fala esta, que foi reiterada pela Deputada Iyalorisa Clelia Gomes.

A REJU SP marcou presença no ato fortalecendo esta importante iniciativa.

"O Grande Sábio judeu, rabino Hilel disse: "Se eu não for por mim, quem será por mim? E se estou apenas para mim, o que sou eu? E se não agora, quando?" Ao estar presente com uma comitiva da REJU e da minha sinagoga Bnei Abraham, pude juntar com candomblecistas e umbandistas afim de aplicar essa frase de Rabi Hilel (século 1 a.C). "Se eu não for por mim, quem será por mim? - Se cada um não lutar por si, por sua cultura, por sua comunidade, quem será? [...] "E se estou apenas por mim, o que sou eu?" - Mesmo assim, se lutamos apenas por nossos próprios interesses, o que somos nós? Será que somos dignos de ter a ajuda de alguém, quando estivermos em apuros? [...] "E se não agora, quando?" - Se eu deixar para depois, talvez não haverá mais oportunidades cabíveis para lutar!

"Nenhum apoio pode ser descartado se é vindo com reais intensões. Shalom Asè!", ressaltou Camilo Zayit Seleguini.

Texto: Alexandre Magno da Glória