Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Campanha - Fale por Direitos Humanos na Câmara

Caio Marçal

A transgressão aos Direitos Humanos no Brasil é um problema complexo e uma equação difícil de resolver. Somos um país que ainda tem marcas fortes de seu passado colonial escravista e que não equacionou totalmente problemas como concentração da terra e da riqueza. É preciso lembrar que ainda hoje uma generosa parcela de nossa gente sofre com as múltiplos abusos que roubam dela a possibilidade de viver com dignidade.

A Rede FALE, acredita que a defesa dos Direitos Humanos está no reconhecimento da sacralidade da Vida, que provém, da imagem e semelhança de Deus que todo ser humano possui (Gn 1.26, 27). A maneira como tratamos outro ser humano é reflexo de nossa atitude para com o Criador. Nosso ação e reação em relação ao próximo manifesta nosso amor ao Deus que seguimos, pois “se dissermos que amamos a Deus, mas odiamos nossos irmãos somos mentirosos (1 Jo 4.20). Cremos que participar de um novo Reino inaugurado na pessoa bendita do Filho de Deus é ter os olhos convertidos, e que nos ajuda a reconhecer em todos aqueles que são excluídos a pessoa de Jesus de Nazaré (MT 25:40).

Em nosso contexto de uma sociedade democrática e republicana, Direitos Humanos vão além das medidas propostas para defender minorias, e incluem a garantia e promoção dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais preconizados pela Constituição Federal de 1988. Também consiste na defesa dos Direitos Humanos o enfrentamento da tortura, do tráfico de pessoas, do trabalho escravo, da violência e corrupção policial, bem como a proteção de pessoas ameaçadas de morte. Além disso, podemos destacar a importante atuação do Brasil nas cortes e foros internacionais de Direitos Humanos. Num estado laico, que é diferente de estado “antirreligioso”, é importante reconhecer que somos uma sociedade plural e com múltiplas visões de mundos, e que cabe ao mesmo garantir que essas diferentes perspectivas coexistam sem que uma seja suprimida pela outra. É garantir que a Vida, que os Cristãos particularmente acreditam ser um dom divino, seja plena de possibilidades e respeitada.

Nestes dias desafiadores para toda discípula e discípulo do Mestre que participa de questões de fundo social, estamos preocupados com a indicação de Marco Feliciano para assumir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmera dos Deputados. De antemão, rechaçamos qualquer manifestação contra sua indicação baseada em discursos de ódio em relação ao fato dele ser evangélico. Tais declarações animosas sobre sua opção de fé e religião também devem ser alvo de críticas.

Porém, é preciso perguntar: qual envolvimento e domínio Feliciano tem sobre os temas dos Direitos Humanos? E o que dizer sobre suas afirmações em redes sociais? Algumas declarações de Feliciano nos deixam muitos preocupados. Numa rede social, ele chegou a afirmar que “africanos descendem de ancestral amaldiçoado de Noé”. Em outro momento afirmou que “AIDS é o câncer Gay”. Não seria temerário ter na presidência dessa Comissão alguém que desconheça a dura realidade de dor e sofrimento dos negros e ainda tente dar “explicações teológicas” para validar a miséria de um determinado povo ou etnia? É possível dizer o que, depois disso, as milhares de famílias que sofrem a dor de um parente soropositivo que é discriminado e se sinta contemplado nessa declaração?

É essencial que a Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados seja ocupada por alguém com compromisso profundo com os Direitos Humanos inscritos na Constituição e notório saber sobre os importantes meios de defesa e promoção destes direitos presentes no avanço das políticas públicas das últimas duas décadas.

Para nós evangélicos, a situação complica mais ainda quando um político que afirma nos representar e estar lutando em favor do povo de Deus. É essa a imagem pública que desejamos compartilhar para nosso povo? Embora saibamos que na prática nenhum político ou pastor evangélico represente um grupo tão diverso e plural quanto o nosso, é pouco provável que a imagem de um “pastor parlamentar” se descole da nossa comunidade de fé. 

Constatamos que o Deputado Federal Pr. Marco Feliciano não tem sequer atuação parlamentar prévia em nenhum destes temas que o habilite para assumir este cargo, correndo grande risco de representar de maneira equivocada diferentes segmentos da sociedade que ainda experimentam a violação de seus direitos, bem com de como de prejudicar a imagem dos cristãos evangélicos em nosso país.

Em razão disso, A Rede FALE mobiliza a Campanha “Fale por Direitos Humanos na Câmara”, que pressiona as lideranças do Partido Social Cristão para que Feliciano não seja conduzido para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias.

Queremos também convidar a todos que se juntem em clamor pelos seguintes pedidos:

1. Oremos para que a Igreja Evangélica se envolva de forma qualificada na temática dos Direitos Humanos e reconheça que essa demanda faz parte de sua Missão;

2. Oremos em favor da escolha de pessoas qualificadas na Comissão de Direitos Humanos e Minorias e para que os debates aconteçam de forma respeitosa e civilizada;

3. Oremos para que todos que não gozam de plenos direitos e tem suas vidas postas em risco tenham seus anseios de vida plena contemplados e pleiteados por toda sociedade brasileira.

Campanha - Fale por Direitos Humanos na Câmara