Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Carta de Protesto

22-09-2009

Irmãs e Irmãos,

Saúde e paz!

Esta carta é um protesto!

Sou estudante de teologia e filosofia da Universidade Metodista de São Paulo. Desde os meus primeiros anos na UMESP, tenho desempenhado pesquisas acadêmicas. A mais recente se refere ao tema do diálogo interreligioso em sua relação com a teologia da libertação, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Além dessas atividades, tenho cooperado com a Rede Ecumênica da Juventude (REJU), um projeto do Fórum Ecumênico Brasil (FE Brasil).

Ontem, dia 15 de setembro, fui ao Consulado Geral dos Estados Unidos para a retirada de visto, pois recebi uma bolsa da minha Universidade para realizar um curso no exterior, nos meses de novembro e dezembro deste ano.

O meu projeto se dividia em dois momentos: primeiro ter aulas em El Salvador, com Jon Sobrino, na Universidade Centroamericana; e segundo ter aulas na Perkins School of Theology - Southern Methodist University (SMU), em Dallas. Além disso, apresentaria os resultados parciais da pesquisa em andamento. Porém, em entrevista no Consulado estadunidense, o meu visto foi negado, mesmo eu apresentando as documentações exigidas (uma carta convite assinada pelo Dr. Robert Hunt – professor da SMU, uma carta da minha Universidade comprovando os meus recursos, uma carta do órgão financiador das minhas pesquisas e comprovantes de endereço). Ainda existe outro agravante, todos os gastos, cerca de US$ 200,00, que tive no processo para o visto, mesmo ele sendo negado, não será reembolsado.

A razão para tal decisão não foi clara, o documento que eu recebi trazia um código 214(b) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos Estados Unidos.

Porém, para mim, as razões reais são econômicas e regionais. Por possuir uma bolsa de iniciação científica, não tenho vínculo empregatício. A minha família não tem condições financeiras declaradas, a minha mãe é viúva e mora na Bahia. Além da razão econômica, baseando-se nos critérios dos EUA, estou num grupo de risco: sou jovem. Tenho 22 anos e sou um imigrante em potencial, como todo/a brasileiro/a que busca qualquer visita aos Estados Unidos.

Com essa decisão arbitrária, duas Universidades (Metodista de São Paulo e Southern Methodist) foram esquecidas e desrespeitadas. A oficial que me entrevistou tomou uma decisão sumaria, sem se preocupar com as informações que eu prestei por vias documentais, inclusive por documentos oficiais de nosso país (como o comprovante da bolsa da FAPESP), o que garantia um laço forte com o Brasil. Sinto-me prejudicado e humilhado pela Embaixada dos EUA. O Consulado não prestou qualquer informação quanto às razões reais e particulares da negação do visto, mostrou-me apenas um documento genérico. Os critérios econômicos utilizados como parâmetro pelos oficiais ditam regras, anulam a humanidade, oprimem pobres e fortalecem os impérios. As palavras do teólogo que pesquiso, Jon Sobrino, se tornam cada vez mais verdadeiras em ações como essa.

Este é um lamento diário de diversas pessoas sem bens e sem dinheiro, que em todas as manhãs acordam cedo e se dirigem às filas do Consulado, mas aparecem como sem-nome, sem-rosto. Lamento experimentando, ontem, por mim. Que os critérios econômicos não guiem as nossas vidas, que os poderosos se convertam às causas dos pobres, que os reis deste mundo não continuem o seu poder e sacrifícios das vítimas latino-americanas, brasileiras.

Lutamos por uma história contra a história atual.

Na esperança do reino,

Daniel Souza
brasileiro e latino-americano.(dan.vca@gmail.com)