Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Carta-denúncia Contra o Extermínio da Juventude

30-11-2011

“Será que ninguém vê O caos em que vivemos? Os jovens são tão jovens E fica tudo por isso mesmo A juventude é rica, a juventude é pobre A juventude sofre e ninguém parece perceber...”

(Trecho da Música Aloha, Legião Urbana)


A Rede Ecumênica da Juventude - REJU Amazônia - vem a público manifestar sua indignação com a crescente onda de extermínio de jovens na Região Metropolitana de Belém.

Belém vive um momento de profunda comoção e reflexão diante dos fatos ocorridos no último fim de semana (19/11) no distrito de Icoaraci, com a execução de seis adolescentes. Um crime brutal e desumano. Infelizmente essa chacina não foi a primeira e não será a última a ser registrada nos jornais de nossa cidade, pois todos os dias o que a mídia revela (quando revela), são adolescentes e jovens, vitimas do tráfico, da polícia, de violência, manifestações de ódio, racismo, homofobia e discriminação pelas condições de pobreza em que vivem, a verdadeira espetacularização da violência.


A violência urbana subverte e desvirtua determinadas funções das cidades, retira recursos públicos já escassos, acaba com vidas, especialmente as dos jovens e dos mais pobres, e dilacera famílias. De potenciais cidadãos, passamos a ser consumidos pelo medo, pois o mercado que mais cresce é o de materiais e equipamentos de segurança. É o processo de acumulação do capital em busca de novos nichos de mercado, atingindo outros segmentos, na procura voraz de cada vez alcançar níveis mais elevados de lucro.

A violência é compreendida apenas em seus aspectos de segurança e repressão, não sendo considerados aspectos como da pobreza, considerada a mais trágica das formas de violência, que, contraditoriamente, não é combatida, tampouco observa-se a intenção de eliminá-la.

A insegurança causa reações adversas como a sensação de descontrole; pequenos atos são motivos para ações violentas, a qual vem estimulando a ação de um Estado penal, através de encarceramento e fortalecimento de mecanismos de controle repressivos e punitivos. Logo, a ausência do Estado, através de garantia de direitos e aplicação de políticas sociais, proporciona o descontrole que se alastra, sendo enfrentado por um controle estatal repressivo.

A impunidade e inoperância do estado deixam nossa população refém do medo e do silêncio. Nossa juventude quer viver! Quer ser feliz! Quer ser tratada como gente! É vergonhoso o que estamos oferecendo aos nossos jovens: Policiais matando jovens, escolas abandonadas, sistemas públicos de saúde e de educação que não atendem a ninguém, muito menos a população de baixa renda! Segundo o observatório da violência de 2011 o numero de homicídios no Pará quadruplicou em dez anos, a Região Norte carrega o peso de mais de 4.856 casos de homicídios e Belém, a capital que mais mata jovens na região, com 61,7%. Reforma política já!

A Rede Ecumênica da Juventude na Amazônia se solidariza com as famílias dos adolescentes assassinados e se une a varias manifestações de organizações populares, exigindo agilidade na apuração dos casos.

Basta de ver todos os dias nossos jovens serem eliminados pelo tráfico e pela polícia no Brasil.  

Belém, Pará, 24 de novembro de 2011

Rede Ecumênica da Juventude – REJU-Norte.

Organizações que compõem a REJU-NO

Paróquia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Belém- IECLB

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil- Diocese da Amazônia- IEAB

I Igreja Presbiteriana Independente de Belém- IPI

Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Belém- ICAR

Igreja Metodista- Núcleo de Missão de Belo Horizonte em Belém

Instituto Universidade Popular- UNIPOP

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