Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Como foi a participação no Cinejuventude

Um olhar genérico para as respostas que vieram dos Cinejuventudes

por Jorge Atílio Silva Iulianelli

[1]

Até o dia 7 de outubro recebemos 15 respostas, ao todo, de realização dos cinejuventudes nas quatro regiões. Elas aglutinaram ao redor de 300 jovens. Discutiram os filmes indicados pela REJU. Foram as seguintes cidades que enviaram relatórios: NE: Ouro Branco (AL), Salvador (BA), Serra Redonda (PB), Jaboatão dos Guararapes (PE); CO: Brasília-DF; SE: Duque de Caxias (RJ), São Bernardo do Campo (SP); S: Estrela (RS), Lajeado (RS), Pedregal (RS), Porto Alegre (RS), São Leopoldo (RS) e Turuçu (RS); Curitiba (PR)[2]. O filme mais assistido foi Quem quer ser um milionário (5 em 12). Segue abaixo uma tabela síntese:

RegiãoPessoasGruposAções para a superação da violência
NE1684Envolver as crianças da comunidade nos debates sobre violência e sua superação Mais formação no tema para jovens da REJU Promover Educação Camponesa de qualidade

Criar programas de geração de emprego e renda

Promover melhoria de condições de vida nas comunidades

Promover orientação familiar para redução da violência doméstica por meio da escola

Campanha de Desarmamento permanente

Combate à violência sexual

Promover debate sobre política de drogas, atendimento a usuário de drogas e política de redução de danos

Ter políticas públicas de juventude que incluam o diálogo com as famílias

Fortalecer os Conselhos Tutelares de Crianças e Adolescentes

Fortalecer os movimentos populares, como CPT e MST

Exibição de filmes educativos na área de saúde

Cinema popular

Leitura popular da Bíblia com assessoria do CEBI

Formação de um grupo de jovens que haverá de Trabalhar a temática de Políticas Públicas para Juventude

CO61Educação cristã e educação moral para superar a violênciaIncentivar visitação de jovens às áreas carentes para promover a solidariedade de classePressionar às autoridades públicas para que efetivem as PPJ
SE433Promover projetos sociais nas comunidadesFortalecer as ações sociais das igrejas com a juventudeCriar fórum de juventude nas comunidades para diagnosticar e atuar em favor dos interesses da juventude

Ação formativa com jovens da REJU sobre o tema da violência

Promover parceria com moradores para debater a política pública de segurança e seus efeitos geradores de violência

S1077Promover cursos profissionalizantesDesenvolver maior acesso da juventude ao sistema de justiçaPromover políticas de educação e saúde que desenvolvam os valores da paz e da superação da violência

Campanha de Desarmamento permanente

Incentivar o estudo e o testemunho cristão de promoção da paz

Promover ações de formação cultural (bandas marciais, etc)

Desenvolver mais projetos como o cinejuventude

Desenvolver mecanismos de apoio social aos jovens que estão envolvidos com a criminalidade

Desenvolver apoio aos pais de jovens que praticam e/ou sofrem violência

Desenvolver práticas culturais de tolerância (religiosa, cultural, étnica, etc)

Promover debates sobre os preconceitos

Participar da ação do Dia Nacional da Juventude da PJ

Atuar de acordo com a paz de Jesus (Jo 14, 27)

4 reg.284438  ações proposta

Filmes assistidos:

FilmesQuantidade de assistência
Quem quer ser um milionário7
Última parada 1742
Escritores da Liberdade2
Tropa de Elite1
Sem indicação3
Total de filmes16*

                                  

Os filmes sugeridos eram, pela ordem,  Notícias de uma guerra particular, Bicho de Sete Cabeças, Pixote e Quem quer ser um milionário

Algumas impressões a partir dos relatos:

A ação foi mobilizadora. Em todas as regiões da REJU, num período bastante curto, houve ao menos um cinejuventude. Em todos eles houve relatos de situações vividas pelos jovens. Talvez, algumas delas possam ser mencionadas na carta nacional.

As 38 ações sugeridas para a superação da violência são bastante distintas. Há uma variedade de ações que também mostram características urbano, rural; movimentos eclesiais, movimentos sociais. As ações que aparecem duas vezes indicam a necessidade de formação para a juventude, na área de superação da violência; também a necessidade da campanha continuada em favor do desarmamento. Sobre a primeira indicação o interessante é que isso merecer nosso cuidado em atenção,

Um terceiro elemento significativo é que o conjunto das respostas mostra que houve um esforço comunitário significativo. Um dos esforços foi

em Ouro Branco, AL. Lá, durante a execução do filme, faltou luz... Porém, os jovens continuaram a conversa. Em Salvador, a exibição contou com muitas crianças. Nos grupos do Sul, o envolvimento foi também muito distinto em cada uma das realizações. No Sudeste, as ações no Profec e na Faculdade de Teologia de São Bernardo são muito distintas. Assim como, o processo da exibição no Centro‑Oeste, com pessoas da Diocese Anglicana de Brasília.

Uma última observação a partir da primeira leitura dos relatórios é a animação que transparece. Todos os grupos relatam com gosto a atividade. Ou seja, foi um fenômeno da alegria da juventude. E isto diante de tanto sofrimento relatado e experimentado. Superar a violência não é uma fala sem sentido, ou atravessada, ou inventada. É o mais puro fruto de uma experiência de enfrentamentos cotidianos de rapazes e moças, nos mais diferentes rincões do Brasil, que encontram na aposta e proposta ecumênica alimento para a solidariedade, a luta pela justiça e a esperança contra toda a esperança.

Temos que considerar que os relatórios não respondem a uma pesquisa. Em segundo lugar, é necessário ponderar a diferença dos discursos em cada relatório. Isto considerado precisamos fazer leituras das diferentes realizações com olhares específicos: sociológico, bíblico, teológico e na perspectiva das políticas públicas de juventude. Sociologicamente poderíamos buscar identificar especificidades rural/urbano; noção de juventude; noção de violência (modalidades, atores); noção de superação da violência (modalidades, atores). Biblicamente poderíamos tentar observar quais os textos bíblicos são citados explícita e implicitamente, e identificar que discurso bíblico esta juventude faz e quais desafios dessas leituras para o diálogo interreligioso e com os movimentos sociais. Teologicamente precisaríamos ver quais noções de comunidade de fé, eclesialidade e ecumenismo brotam dessa experiência, e como isso se articula numa rede de juventude em favor dos direitos da juventude. Na perspectiva das PPJ seria interessante notar quais PPJs existentes contemplam as propostas de ações de superação da juventude elencadas e quais poderiam vir a ser desenvolvidas a partir dessas insinuações.

[1] Assessor de KOINONIA-Presença Ecumênica e Serviço, doutor em Filosofia pela UFRJ, integrante do GT-Interdisciplinar da Rede Ecumênica da Juventude em favor dos Direitos Juvenis(www.redeecumenicadajuventude.org.br).

[1] Houve dois grupos em Curitiba (PR): Ichtus e Anjos da Luz.