Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

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​CONDENARAM RAFAEL BRAGA VIEIRA A 11 ANOS! EU QUERO MAIS É QUE A JUSTIÇA E A PACIFICAÇÃO SE DANE.

por Ronilso Pacheco

Conseguiram. Como toda estrutura montada para destruir os mais fracos e mostrar quem tem o controle sobre a vida e sobre a morte (inclusive sobre a condição em que se vive e em que se morre) a Justiça decidiu por condenar RAFAEL BRAGA VIEIRA a 11 anos de prisão. O racismo e o Estado racista no Brasil não precisa de muito pra decidir fazer o que faz.

Não faz diferença o quanto chega a ser ridículo a sentença dizer que o RAFAEL “trazia com a finalidade de tráfico 0,6 (bem assim, traficar 0,6) decigramas de substância entorpecente”. Não faz diferença que RAFAEL tenha sido preso sozinho enquanto ia na padaria, e a sentença diga uma surpreendente coletividade de “traficantes”, “todos subordinados à facção criminosa que domina o tráfico de drogas na comunidade, para o fim de praticar, reiteradamente, o crime previsto no art. 33 da Lei nº 11.343”. Não faz diferença o que toda essa injustiça tenha se proposto a destruir de vidas em jogo. A Justiça, quando é racista e destinada a manter os pobres sob controle, não é dada a coerências.

CONDENARAM RAFAEL BRAGA. E este é aquele momento em que tanta gente imagino que o fato dele ser preto, pobre, semiletrado e periférico seja só uma infeliz coincidência. Este é aquele momento também em que você percebe que a Justiça sabe a quem serve. Vamos discutir a política de guerra às drogas? Que coloca Rafael associado ao “à facção criminosa que domina o tráfico”? Deveríamos. Porque chega a ser humilhante alguém fazer parte de uma facção que domina o local e não ter absolutamente nada, catar latinhas e fazer pequenos bicos nas ruas no Centro da cidade, dormir na rua nos dias de semana pra economizar passagem e a mãe morar numa casa precária menor que a sala de muita gente.

CONDENARAM RAFAEL BRAGA. Cuspiram na cara não só da Campanha Pela Liberdade do Rafael Braga. Cuspiram na cara de todas e todos que se importavam com isso não só pelo Rafael, mas por saber que ele era o emblemático de tantos casos semelhantes, cotidianos. Eu quero é que a Justiça se dane. Eu quero é que essa farsa de pacificação se dane. Eu quero que os protestos dentro da lei e da ordem se danem. Eu quero é que não tenha dúvidas pro Estado e toda a sua estrutura instrumental racista-classista-elitista que não vai ter paz, não vai ter sossego, não vai ter esquecimento, não vai ter foi “só mais um caso”, não vai ter arquivamento. NÃO VAI TER OUTRO CORPO PRETO APODRECENDO JOGADO NO CÁRCERE POR VOCÊS.

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