Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Dia 7 de dezembro: Jovens se reúnem em SP para discutir política, gênero, justiça socioambiental e d

11-12-2012

Vânia Correia, Agência Jovem de Notícias

Jovens de diferentes denominações religiosas e movimentos sociais se reuniram em São Paulo, entre 6 e 9 de dezembro, para participarem do encontro nacional da Rede Ecumênica da Juventude – REJU e discutir incidência política e garantia de direitos.

Durante a atividade, mais de trinta jovens vindos de diferentes regiões do País, além de refletirem sobre a caminhada da Rede, analisando sua atuação na garantia de direitos da juventude, debateram temas como superação da intolerância religiosa, justiça socioambiental, equidade de gênero, vida segura, enfrentamento à homo e lesbofobia, entre outros.

Ao final do Encontro, os integrantes da Rede planejaram o biênio 2013-2014, para o qual estabeleceram quatro eixos de atuação, relacionados à equidade de gênero; superação da intolerância religiosa; enfrentamento à violência contra a juventude negra e promoção da justiça socioambiental. (Leia na íntegra a carta síntese do Encontro)

A jovem Milena Reis, de Recife, que se define como esotérica e acredita que um dos elementos que mais a atraiu para a REJU foi a múltipla pertença que possibilita intercâmbio de experiências e diálogo com pessoas de diferentes denominações religiosas. Para ela esse diálogo é fundamental para garantir o direito à diversidade religiosa. “Cada religião tem a tendência a monopolizar deus, isso vai abrindo a porta da intolerância, pois se eu só tenho a experiência do meu grupo, posso pensar que não existe deus mais além e se ele não está lá, o que está é o mal”, analisa.

Machismo, homofobia, violência e intolerância religiosa

Apesar de previstos na Constituição Federal o direito à liberdade religiosa e a laicidade do Estado, são constantemente ameaçados por conta da intolerância religiosa que coloca sob risco o próprio princípio da democracia. “O fato de alguém professar uma fé, seja ela qual for, precisa considerar que o outro tem o mesmo direito. Inclusive o de não ter religião alguma”, lembrou a Marga Stroher, do Comitê da Diversidade Religiosa, vinculado a Secretária Nacional de Direitos Humanos, durante uma das rodas de conversa do evento.

A conversa contou ainda com a participação de Vanessa dos Santos, da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente, que trouxe provocações sobre sustentabilidade e justiça socioambiental e de Alexandre Brasil, da Secretaria Geral da Presidência que motivou as discussões sobre diálogos com o poder público e incidência política.

As militantes da Marcha das Mulheres, Sarah de Rourte e Cinthia Abreu, que também, participaram da conversa, lembraram que o fundamentalismo religioso também é uma das principais fontes do machismo e da homofobia e, inclusive, por criar barreiras ideológicas para o reconhecimento dos direitos das mulheres.

Recentemente, a terceira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos sofreu cortes importantes para segmentos da sociedade devido a forte influência das religiões cristãs. Questões como legalização do aborto, da união civil homoafetiva, proibição de símbolos religiosos em repartições públicas, foram alguns dos pontos excluídos do Plano.

No geral, pautas que desagradam setores religiosos influentes – obviamente cristãs, em especial os católicos e protestantes neopentecostais – enfrentam dificuldades para serem aprovadas, devido a pressão dos fiéis e dos legisladores de bancadas religiosas.

Crimes por intolerância

Diariamente, diversos crimes de intolerância religiosa são cometidos no Brasil. Vão de ofensas, constrangimento e destruição de patrimônio religioso, à omissão e mau trato em serviços públicos, como saúde, agressões e assassinatos. 

De acordo com Marga Stroher, a falta de sensibilidade e treinamento das autoridades policiais faz com que esses crimes sejam, muitas vezes notificados como injúrias, difamação, e não como intolerância religiosa, por isso mesmo a Secretaria vem investindo em capacitação desses profissionais. Além disso, já é possível fazer denúncias pelo Disque 100, do governo federal. 

Ela ressalta que a Secretaria de Direitos Humanos, por meio do Comitê, tem trabalhado para estabelecer o diálogo e também na formulação de políticas públicas para que todas as pessoas possam manifestar sua fé. “Em alguns casos, é possível promover uma conciliação, mas às vezes não, porque não há por parte do agressor sequer a disposição em dialogar. Nesses casos, a pessoa tem que responder por sua atitude intolerante, afinal ela tá violando um direito humano. Temos trabalhado na parte pedagógica, mas também para garantir o cumprimento lei”, ressalta.

Notícia: http://www.agenciajovem.org/wp/?p=13322

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