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Jejum pelo Clima

A Federação Luterana Mundial lançou o programa “Fast for the Climate”, “Jejum pelo Clima, em português, que busca abrir espaço nas discussões das questões socioambientais e chamar a atenção para a importância da questão ambiental, através de jejuns programados para o primeiro dia de cada mês.

O jejum é uma atitude corajosa, que já foi usada por vários líderes como ferramenta de mudança, sendo o exemplo mais lembrado o do indiano Mohandas Gandhi, mais conhecido pelo apelido de Mahatma, “grande alma”, em sânscrito.

A força do Jejum pelo Clima está no trabalho global em rede, em que pessoas das mais diferentes culturas, expressões de fé e anseios pessoais se unem com o mesmo objetivo: a conscientização sobre a questão socioambiental.

O jejum talvez seja uma metáfora sobre a necessidade urgente da redução do consumo de recursos naturais, que já está causando alterações na relação do ser humano com a natureza.

Parece que pela primeira vez pudemos sentir a força dos efeitos das mudanças climáticas no Brasil, com a recente crise da água em São Paulo. Não que os efeitos não tivessem sido sentidos antes no país, mas talvez nunca ganharam tanta visibilidade quanto atualmente.

Pensando nisso e visando complementar a ação do Jejum pelo Clima, fizemos uma pequena e simplória lista de atitudes a serem incorporadas no nosso cotidiano, para contribuir com a manutenção de todas as formas de vida da Terra. São práticas que requerem uma certa mudança de hábitos, mas são simples e ganham ainda mais força quando trabalhadas em rede, e vão além dos tradicionais “reduza o tempo no banho” e “utilize o transporte público”.


1. Plantar árvores:


Segundo o grupo SOS Mata Atlântica, 70% da mata do Sistema da Cantareira foi derrubada, e é justamente o desmatamento uma das mais graves facetas da crise da água em São Paulo.

Por isso, é muito importante a mobilização visando o plantio de árvores, que pode ser coletiva, em pequenos grupos ou até mesmo individual, como muitos fazem. As mudas podem ser plantadas em parques, áreas de florestas que ainda restam e beiras de rios, tomando o cuidado de escolher mudas nativas ou compatíveis com o bioma da região. As mudas podem ser compradas ou feitas em casa ou apartamento, a partir de sementes coletadas.

Em entrevista ao portal Deutsche Welle do Brasil, Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, disse que "A floresta aumenta a resiliência dos mananciais. O desmatamento não é causa da seca, mas, se houvesse maior cobertura vegetal, o esgotamento dos reservatórios poderia ser evitado".


2. Reduzir ou eliminar o seu consumo de carne:


O ONU já fez estudos e emitiu relatórios nos quais pede para que as pessoas reduzam seu consumo de carne para que possamos evitar as consequências da mudança climática. Infelizmente, estas informações dificilmente chegam até as pessoas por meio da imprensa tradicional, que tem na indústria da carne uma forte renda gerada pela publicidade.

De acordo com o relatório, a pecuária é responsável pelo consumo de 70% da água fresca do planeta, 38% do uso da terra, 19% das emissões de gases do efeito estufa, sem falar no alto nível de desmatamento provocado pela atividade.

A alimentação sem carne, além de fazer bem ao meio ambiente, também é “viável do ponto de vista nutricional”, segundo informações dos Conselhos Regionais de Nutricionistas de São Paulo e Mato Grosso.

O relatório, chamado “Our Nutrient World”, pode ser encontrado, em inglês, aqui: www.initrogen.org/sites/default/files/documents/fi...

3. Consumir produtos locais, orgânicos e sazonais:

Saber de onde vêm os produtos que consumimos é essencial para o consumo consciente, e vale para tudo o que compramos, de comida até eletrodomésticos. De onde vem a sua comida, de um latifúndio em que prevalecem a monocultura, os transgênicos e agrotóxicos, ou de uma propriedade que produz comida orgânica, com rotação de culturas e uso consciente da água?

Lembrando que os produtos orgânicos vendidos nas feiras geralmente são mais baratos do que os orgânicos de supermercado, também podendo ser mais baratos do que os produtos “convencionais”, como é mostrado em uma pesquisa exibida no documentário “O Veneno Está na Mesa II”.

Como consumidores, temos um poder de decisão considerável sobre as vendas de um produto. Quando consumimos produtos que são nocivos ao meio ambiente, promovemos, junto com ele, a má distribuição da terra, o esgotamento dos recursos naturais, a monocultura e a exploração, enquanto que ao consumirmos produtos ambientalmente corretos, ajudamos a lutar pela justiça ambiental e humana.

Só não vale cair nas armadilhas das marcas que se dizem verdes e não são.

4. Tornar-se um guardião de sementes:

Um dos principais trabalhos da Dra. Vandana Shiva é promover a conservação de sementes. Segundo ela, as sementes são uma questão de extrema importância na democracia e de segurança alimentar. O grande problema com relação às sementes é que elas estão sendo modificadas geneticamente, e passando a ser propriedade de grandes empresas multinacionais através de patentes. Isso faz com que elas germinem uma única vez, tornando os agricultores dependentes das multinacionais.

Você pode guardar e armazenar as sementes dos produtos orgânicos que consome, ajudando a assegurar a questão democrática das sementes, além de resgatar plantas alimentícias há muito esquecidas ou quase extintas do ecossistema e do prato, como milhos de cores diferentes, uma grande diversidade de feijões, batatas e tantos outros...

5. Estudar permacultura:

A permacultura é um conjunto de conhecimentos fantástico, que leva em consideração a ação humana, o meio ambiente e as relações de interconexão entre estas esferas. Com ela, aprendemos várias técnicas de como agir no mundo com menos impacto e mais harmonia.

No Brasil, um dos institutos de permacultura com mais destaque é o Ecocentro IPEC (www.ecocentro.org), que ministra cursos, vivências e publica livros sobre o assunto.

6. Consuma menos e melhor:

Aquela velha pergunta de “será que eu realmente preciso comprar isso?” é sempre válida. Observe também a quantidade de embalagens nas quais seus produtos estão envolvidos; a procedência, para evitar a poluição causada pelo transporte; e procure imaginar todas as relações de interconexão entre o produto e o mundo.

Além disso, recuse sacolas plásticas, tenha consigo uma sacola retornável, que também pode ser feita por você mesmo com jeans velho ou com o que a sua criatividade mandar. Para comprar frutas no supermercado, leve sempre com você algumas sacolinhas plásticas, e utilize sempre as mesmas, evitando nós muito apertados que lhe obriguem a rasgá-las.

7. Promova o debate sobre a justiça socioambiental:

Muitas pessoas não sabem como contribuir com o meio ambiente por falta de informação. Traga a questão para seu círculo familiar, de amigos e ou de trabalho, e lembre-se de abordá-la de modo não violento.

De maneira nenhuma esta lista termina aqui. Existem muitas outras coisas que podem ser feitas para contribuir com a Terra e com as pessoas.

Tudo na natureza é interconectado, em um processo de autorregulação. As florestas estão conectadas com a água, que está conectada com a atmosfera, que está conectada conosco, de modo semelhante ao funcionamento de um corpo. Se algum órgão enfrenta problemas, o corpo inteiro sentirá os efeitos. Pense nisso.

Deixe outras dicas de cuidado com o meio ambiente nos comentários.

Texto: Leonardo Brockmann

questões socioambientais

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