Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

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​Juventude: coração do Fórum Social

Marcelo Barros¹

Depois de 16 anos de existência, o Fórum Social Mundial (FSM) continua seu percurso como um processo de diálogo e de articulação dos mais diferentes movimentos e iniciativas da sociedade civil de todo o mundo. E nesse momento em que o Capitalismo mundial mostra uma força mais brutal e as desigualdades sociais crescem em todo o mundo, o processo contínuo do Fórum Social ainda se torna mais importante. Mais uma vez, aqui em Montreal, no campus da Universidade de Quebec no Canadá, vemos que juventude não é somente um tema do Fórum. É uma realidade. A juventude está presente, tanto na preparação, como na organização e na realização de muitas das atividades desse fórum. Há muitos e muitas jovens entre os conferencistas, painelistas e participantes do Fórum, além do fato de que, durante os dias em que aqui dura o FSM, a juventude ocupa uma praça da cidade. Nesse "Espaço Juventude", jovens vindos de muitos países e com talentos diversos, fazem muitos espetáculos e se revezam em shows, peças teatrais e apresentações musicais contra o determinismo de um sistema econômico manipulador que quer prender os jovens em seus tentáculos mortíferos.

De acordo com Geneviève Gael Vanasse, coordenadora dos programas de juventude da Oxfam Canadá: " Atualmente, a metade da população mundial tem menos de 30 anos. Entre esses jovens, 90% vivem em países do sul, considerados pobres. A juventude é a parte da população mais atingida pela pobreza e pelas desigualdades sociais. Por isso, os/as jovens são e podem ser sempre mais um fermento de mudanças para o mundo" (Cf. Le Devoir, Montreal, 07/08/2012, p. F8).

Um desafio importante é que essa voz da juventude seja, de fato, ouvida e valorizada. Nos espaços de um fórum como esse, o protagonismo da juventude é permanente, mas, na sociedade dominante em que vivemos, quase sempre o poder e os cargos estão nas mãos de pessoas mais velhas e a juventude não é suficientemente escutada e valorizada. Essa marginalização da juventude das esferas oficiais da política e da economia pode dar a impressão de que os jovens estejam desinteressados dessa participação ou que a maioria da juventude seja alienada e desinformada. Não é verdade. Mesmo com poucas condições e do modo como lhes é possível participar, no mundo inteiro, os movimentos de juventude têm ido às ruas e praças para mostrar seu descontentamento com a forma como a sociedade está organizada. Aqui no FSM, representantes de muitos desses movimentos de jovens.

 É importante, que, nas bases, rapazes e moças procurem se informar sobre o que está acontecendo, se junte aos movimentos sociais do seu estado e da sua cidade e possa fazer com que o processo desse Fórum seja contínuo no dia a dia e não somente atuante nos encontros internacionais que se fazem de dois em dois anos.

É importante que os grupos de juventudes tomem como prioridade aprofundar a realidade social e política do país. Que nos preparemos com mais e mais competência e nos articulemos com toda a força dos corações e braços jovens e possam assim, todos, sentir-se como uma corrente mundial que perpassa todos os países do mundo. Assim, estejam onde estiverem, os/as jovens todos/todas poderão sentir que estão juntos com a juventude que está aqui em Montreal no Espaço Juventude. E poderão todos juntos gritar mais e mais até fazer ressoar sua voz por todos os cantos do planeta: "Um novo mundo é necessário. Juntos podemos torná-lo possível".

¹ Monge beneditino, escritor e teólogo brasileiro. Coordenador latino-americano da Associação Ecumênica dos Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT).

​Juventude: coração do Fórum Social