Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Manifesto das(os) religiosas(os) contra a transfobia e pelo direito ao sagrado

#NãoÀTransfobia
#NãoÀTransfobiaEmEspaçosReligiosos
#NãoÀTransfobiaComArgumentosReligiosos
#NãoEmMeuNome

Nós, jovens de diferentes religiões e espiritualidades, neste dia 29 de janeiro, Dia Nacional da Visibilidade Trans, afirmamos o nosso profundo respeito e o nosso compromisso em contribuir para se assegurar a dignidade de travestis, mulheres e homens transexuais, por meio do reconhecimento da identidade de gênero e da despatologização das identidades trans.

Repudiamos qualquer tipo de preconceito e discriminação transfóbica dentro de espaços sagrados, utilizando-se de argumentos religiosos para oprimir, violentar, excluir e estigmatizar a população trans.

Segundo o último Relatório de Violência Homofóbica publicado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República [1] , a população trans vem sendo a mais violada em direitos entre a população LGBT no país e a que mais sofre violências, seja psicológica/simbólica (injúrias, xingamentos, humilhações, expulsões) ou agressões físicas (espancamentos, assassinatos, mutilações) todos os dias. Nos primeiros 20 dias deste ano, mais de 50 travestis/mulheres transexuais foram mortas no Brasil. [2]

Hoje é um dia de luta e simboliza o início dos questionamentos à invisibilidade histórica que as travestis, mulheres e homens transexuais enfrentam no Brasil em relação aos seus direitos. O dia é celebrado desde 2004, quando o Ministério da Saúde e entidades da sociedade civil lançaram a campanha “Travesti e Respeito”, em reconhecimento à dignidade dessa população.

Atualmente, a luta pela aprovação da Lei Brasileira de Identidade de Gênero caracteriza-se como uma demanda urgente para o reconhecimento da visibilidade e experiências trans. Durante a vida escolar, o fenômeno da evasão torna-se uma constante na vida das pessoas trans quando não são reconhecidas por suas identidades e o tratamento pelo nome social lhes é negado. Sem escolaridade, muitas vezes sem apoio familiar, existir parece ficar extraordinariamente mais difícil, especialmente quando o assunto é acesso ao mercado de trabalho, necessitando recorrer, em muitos casos, à prostituição e à exploração sexual comercial. Também percebemos a importância do papel da mídia neste processo de exclusão social, sempre abordando o assunto de forma pejorativa e irônica, desrespeitando suas verdadeiras identidades e contribuindo para o aumento da transfobia. No que diz respeito à saúde, não há garantias efetivas de acompanhamento médico e psicológico adequado, fazendo com que a utilização de hormônios sem a supervisão de profissionais de saúde e práticas insalubres, como a manutenção de silicone industrial, sejam os meios mais recorrentes para atender as necessidades desse grupo.

Já a religião, a manifestação de sua fé, de acesso ao sagrado, também vem sendo um espaço negado a travestis, mulheres e homens trans. Por não se enquadrarem na norma imposta pela sociedade e por determinados grupos religiosos, essa população tem sido marginalizada e negado a ela o direito a crer e a expressar sua fé. Para poder ter aceitação do grupo e continuidade no compartilhamento do espaço religioso, muitos e muitas tendem a assumir uma identidade, comportamentos e posturas não condizentes com seu modo de ser, potencializando assim quadros de adoecimento como transtornos psicológicos (quadros depressivos) e até mesmo a morte (assassinatos ou suicídios).

Acreditamos que a religião pode ter papel fundamental na superação das intolerâncias, cumprindo sua missão de agente transformador, encampando discursos de acolhimento e amor, respeitando a diversidade, respeitando a identidade de gênero e apoiando aquelas(es) que procurarem os espaços sagrados e as comunidades de fé.

Agindo assim, estabeleceremos uma sociedade mais justa, mais diversa, uma casa comum onde todas as pessoas possam viver bem e tendo acesso aos seus direitos, livres de preconceitos e discriminações.

 

Brasil, 29 de janeiro de 2016

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

 

[1] Disponível em: www.sdh.gov.br/assuntos/lgbt/pdf/relatorio-violenc...

[2] Fonte: blogueirasfeministas.com/2016/01/a-visibilidade-trans-em-2016/  

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