Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

NOTA PÚBLICA DA REDE ECUMÊNICA DA JUVENTUDE: PELA LAICIDADE DO ESTADO E CONTRA A INSTRUMENTALIZAÇÃO

25-04-2016

A Rede Ecumênica da Juventude - REJU, composta por jovens das cinco regiões do país e de diversas expressões de fé e espiritualidade, com e sem vivências religiosas, vem a público somar com as vozes que se posicionam contra a utilização de argumentos religiosos durante a justificativa dos votos pela abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A REJU, em concordância com diversos juristas, movimentos sociais e entidades do movimento ecumênico, além de não reconhecer a existência de um crime de responsabilidade fiscal cometido pela presidenta Dilma, repudia a invocação do nome de Deus para legitimar o voto parlamentar, ato que, entre outras questões, viola o caráter laico do Estado brasileiro ao tornar a fé instrumento de legitimação da representação política. Junto a isso, tornou-se notório o quanto o discurso religioso evidenciou a fragilidade argumentativa dos deputados ao analisar e acolher o relatório do deputado Jovair Arantes (PTB-GO).

Ao abrir a sessão no dia 17 de abril, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, evangélico, fez a seguinte afirmação: "Que Deus esteja protegendo esta nação", seguida pela fala de diversos parlamentares que legitimaram seus votos em nome de uma “nação evangélica”, invocando a ideia de uma população majoritariamente cristã. Todavia, o próprio cristianismo em sua vertente evangélica possui diferentes denominações, credos e expressões de fé, com distintos posicionamentos ideológicos e políticos. Além disso, somos um país composto por pessoas das mais distintas tradições religiosas e sem religião. A defesa por parte de um membro do Congresso de uma dessas tradições fere completamente o conceito de Estado laico, em que o Estado não pode ser orientado por nenhuma religião e, ao mesmo tempo, deve garantir a liberdade de crença, culto e consciência para todos e todas sem qualquer privilégio.

Presenciamos, cotidianamente, no Congresso brasileiro, citações bíblicas descontextualizadas e invocações de ideias religiosas utilizadas pelas bancadas católicas e evangélicas para embasar leis e defender pautas conservadoras. A REJU não compactua com uma fé que, guiada pelo desenvolvimentismo capitalista, se alia a agendas danosas para o meio ambiente, para os direitos trabalhistas, para os direitos das mulheres, das juventudes, do povo negro, dos povos indígenas; nem tão pouco que a religião seja utilizada para defender interesses pessoais dos parlamentares e dos grupos econômicos que financiam suas campanhas eleitorais. Entendemos que essas defesas são orientadas por princípios e ideais religiosos fomentados por ideologias conservadoras e neoliberais que negam direitos fundamentais para a população brasileira. Esses ideais não condizem com os nossos princípios de fé e espiritualidade.

Repudiamos ainda a atuação do presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Como pode ocupar importante função legislativa uma pessoa sobre a qual não apenas pesam gravíssimas acusações de desvio e corrupção, mas que vem utilizando o poder político para violentar a democracia? Do mesmo modo, repudiamos os chamados partidos cristãos e bancadas cristãs que não apenas atentam contra a laicidade, mas que ferem o próprio Evangelho ao se aliar a outras bancadas e setores conservadores do legislativo para promover uma agenda política que prima por um modelo econômico violento, excludente e desigual.

Por fim, nós da REJU continuaremos nas ruas e redes com os movimentos sociais e populares pela legalidade democrática e contra os golpes que pretendem solapar os direitos duramente conquistados nos últimos anos.

Resistiremos!

Estamos em luta!

#EstadoLaicoDeFato

#nãoemnossonome!

Brasil, 25 de abril de 2016.

Laicidade congresso Democracia nota cunha bancada cristã