Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

O "Deus" citado pelos deputados não representa as religiões de matriz africana!

6-05-2016

No dia 17 de abril, acompanhamos mais uma grave violação ao Estado Laico Brasileiro. Nos discursos de parte dos deputados que decidiram pela abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, “Deus” foi citado 59 vezes como justificativa de votarem “Sim”.

Estamos diante do Congresso mais conservador desde 1964, que se une para aprovar leis que violam a Constituição e limitam os direitos das mulheres, dos LGBTT’s, da juventude negra, dos quilombolas, dos indígenas, dos pequenos agricultores e das religiões não cristãs.

Tendo Eduardo Cunha na presidência da Câmara, essa aliança conservadora consolidou-se. Até porque esses grupos ajudaram a elegê-lo.

Os distintos cultos de matriz africana, formados pela luta e resistência de negras e negros escravizados no Brasil, que não renunciaram a sua cultura e fé e enfrentaram ao longo dos séculos perseguições, demonização e marginalização do seu Sagrado, não se reconhecem representados! Não se pode continuar aliando fé e política, para legitimar interesses pessoais.

O povo de terreiro é reconhecido, por ter a porta das suas casas de culto abertas, para todas e todos, independente de classe social, orientação sexual ou religião. Como disse Verger, nossos cultos não tentam impor verdades absolutas, ao contrário de membros de outras religiões. As religiões de matriz africana são na essência plurais! Distintas “nações” de candomblé, Umbanda, Batuque do RS... O Deus Supremo têm distintos nomes: Olódùmarè ou Eledùmarè, Ọlọ́run, Nzambi, Mawu... Os diversos Òrìsàs, Voduns e Inkises coexistem e se auxiliam de forma mútua.

São evidentes as vítimas do fundamentalismo religioso: aquelas e aqueles que buscam pelo direito de amor, a fé, a dignidade, a terra, ao trabalho e estilos de vida que diferem do padrão defendido pelo “Sim”. Não podemos aceitar o retrocesso de conquistas de direitos tão duramente conquistados.  

As religiões de matriz africana acreditam e defendem as diversas famílias formadas por amor e respeito, não somente nas constituídas nos padrões conservadores heteronormativos. Creem na partilha, no encontro, na vida plural e na preservação da natureza que é a melhor expressão de nosso Sagrado. Repudiam a Intolerância Religiosa, o ódio, os desmatamentos e as afrontas aos direitos ambientais e aos direitos humanos, a violação e a incompreensão da Laicidade.

Como desafio, para além de posições partidárias, os povos de Terreiro e Matrizes Africanas, estão vigilantes e atentos contra o fundamentalismo religioso.

 Òrìṣà Ṣàngó é a nossa lei! Eles não nos representam!

O provérbio Yorùbá diz: Obe nké ilé ara re ó ní oùn mba àko je.

"A faca está destruindo sua própria casa, e você pensa que está simplesmente cortando um telhado velho!".

Seguimos na garantia de um Estado Laico de fato!

Àṣẹ!

#NaoEmNomeDeDeus #NaoEmNomeDaReligiao

Ìyàwó Alexandre ti Ògún

Integrante da Rede Ecumênica da Juventude