Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Os nós na REJU

25-01-2017
Sempre que escuto a palavra rede, meu pensamento viaja até o mar. Dúzias de pescadores balançam algo, até então irreconhecível, e só quando fazem o lançamento é que ela se desenrola, apresentando seu movimento majestoso, abrindo-se na esperança de alcançar seu objetivo para, então, fechar-se novamente ao ser arrastada de volta.

Há diversas formas de rede e, ali mesmo na praia, um pouco afastada dos pescadores, uma criança se balança levemente em uma delas. Dentro do quarto, na mesma casa, seu irmão adolescente conversa pela internet com o namorado que está de férias do outro lado do mundo. É uma rede que os conecta. Sentados na sala, pai e avô, nó a nó, fio a fio, entrelaçam e preparam uma nova rede que será lançada mais tarde ao mar, pelas mãos daqueles mesmos pescadores.

Assim tem sido desde muito antes da escolha de Jesus por seus discípulos entre os pescadores da Galileia: redes se balançam por toda a humanidade e, por mais diferentes que sejam, todo movimento de rede é realizado por nós, humanos.

Da esperança de costurar diferentes tipos de nós humanos, de jovens com opiniões, pensamentos, lutas e crenças diversas, nasceu a REJU, Rede Ecumênica da Juventude. Se o trabalho de preparar uma rede com fios, cabos ou qualquer outro material inanimado já é grande, imagina então o desafio que é tecer uma rede com pessoas. A princípio, pode parecer loucura, e só depois é que você percebe: é uma loucura de fato. Mas a vida não teria graça sem uma boa dose de loucura, não é mesmo?

Acontece que, se repararmos um pouco, nenhuma rede existe apenas para ser rede. Elas se constituem e são tecidas com um objetivo. E com o passar do tempo, o propósito dessa rede vai se modificando, se ampliando, se moldando às necessidades do mundo que a cerca. Foi assim com a internet, que nasceu para a comunicação dos exércitos durante a 2ª Guerra Mundial e, hoje em dia, ninguém mais vive sem ela. Alguns mais exaltados entram mesmo em pânico quando são desconectados.

Os objetivos da REJU se estabelecem pelos seus eixos de atuação, que prefiro imaginar como se fossem os pescadores que balançam a nossa rede. Atualmente, eles são cinco: Estado Laico e Superação das Intolerâncias (o chefe); Juventudes, Desenvolvimento e Justiça Socioambiental; Juventudes, Sexualidades e Lutas Feministas; Juventudes e Democratização da Educação; Enfrentamento ao Racismo. Se você pensar direito, o que importa, na verdade, não são os nós que compõem uma rede, mas quem a lança e o que se pretende alcançar com ela. Os nós são essenciais pois, sem eles, não existiria nenhuma rede. Mas o foco da rede não é o nó, nenhum nó é mais importante que outro, embora todos sejam fundamentais. Vez ou outra, os nós de uma rede se desgastam e se afrouxam e precisam ser novamente firmados por mãos cuidadosas. Redes de todos os tipos necessitam de manutenção e reparos, especialmente redes humanas. É pensando assim que a REJU tenta se organizar de forma horizontal, não hierárquica, em que todos os nós tenham sua voz ouvida e sua opinião considerada e valorizada. 

“O que nós estamos fazendo?”, nos provoca Hannah Arendt. Os nós na REJU estão se misturando completamente: nossa revolução dança tango e suas pernas se entrelaçam; nossos sonhos e utopias se misturam e bailam no salão; nossas lutas encontram outras e se envolvem em relações de afeto, das mais variadas possíveis, das menos binárias imagináveis; nossos espíritos e deusxs se unem; nossas identidades e almas se transformam. E, quando percebemos, estamos completamente misturados, mais apertados e juntos que os fios de um dread rastafári.

E é assim que, de nó em nó, seguimos nós, cada vez mais embaraçados, na esperança de que um dia, de tal forma entrelaçados, nenhuma mão no mundo, ou fora dele, consiga nos desenlaçar, até que nossa rede atinja o infinito e abrace o universo.

Vem ser nó, junte-se aos nós da REJU!

Danilo Amaral - REJU SP
rede revolução dança