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Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

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REJU Goiás participa da Marcha das Libertas

20-12-2014

Reunidxs próximxs ao Terminal do Dergo, em Goiânia/GO, dezenas de mulheres e homens, marcharam pela autonomia dos corpos das mulheres, contra o machismo, o racismo e a homo-lesbo-transfobia, na marcha intitulada, como “Marcha das Libertas”, que segundo os coletivos organizadores se trata de uma ampliação da Marcha das Vadias, que acontece em todo Brasil e em Goiânia há três anos.

O manifesto da Marcha ressalta: “Continuamos vadias. A vadiagem, diferentemente de uma peça de roupa, não se perde tão facilmente por aí. Pelo contrário, encontra a amplitude de um plural que sempre nos constituiu e que, por forças que nos tocam a todas, nos movimenta. E por isso, pela infinitude que temos e somos, estamos libertas. Anunciamos que, tendo o controle de nossos corpos, seremos ou não vadias, somente e só, se quisermos, pela boca que nos autoafirma”. 

Entre frases de ordem como “se cuida, se cuida seu machista a América Latina vai ser toda feminista” e “se o Papa fosse mulher o Aborto seria legal”, a Marcha tomou as ruas próximas ao Terminal, lugar marcado pela violência policial contra travestis, prostitutas e pessoas em situação de rua. A sede da Secretaria de Segurança Pública, foi escolhida como local para reivindicar politicas de segurança publica que garantam a autonomia das mulheres e denunciar a higienização dos espaços de prostituição e a violência cotidiana que sofrem as mulheres por parte das forças de segurança. “Queremos segurança publica, o que não significa mais policiamento, porque são justamente os policiais que estupram as mulheres, matam as travestis e espancam xs jovens negrxs”, ressaltou uma das ativistas.

O Ato se encerrou com uma intervenção que marca a violência contras as mulheres, a dominação patriarcal sobre os corpos e a criminalização do Aborto e a leitura do manifesto da Marcha. “Estamos libertas pra vestirmos burca ou shortinho, pra transarmos coletiva ou individualmente. A liberdade nos permite, inclusive, amar uma pessoa por vez, ou pedir pra entrar na fila o freguês, mediante pagamento à vista, no cartão, cheque pré-datado, ou ainda sem cobrar qualquer centavo. Não nos aponte esse seu dedo. Estamos libertas!

Nos libertamos para amarmos nossos cabelos, peles e corpos, outras mulheres, os filhos que decidiremos ter ou não, nossas profissões, famílias, nossa solidão, a vida e a luta. Essa nossa liberdade nos permite toda e qualquer exuberância ou mesmo ponderação. É autonomia! Nos libertamos pela nossa capacidade de sermos únicas, coletivas. Por isso não nos aponte esse seu dedo. Estamos libertas! Marchemos, mulheres livres!”.

João Pucinelli

Ativista LGBT e Facilitador da REJU Goiás

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