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Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

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REJU no 8º Encontro Nacional Fé e Política

Sob o tema “Em busca da sociedade do Bem-Viver: Sabedoria, Protagonismo e Política”, cerca três mil e setecentas pessoas afirmaram sua presença na história e buscaram irradiar luzes para novos tempos, conforme canta a estrofe de abertura do hino do encontro. A proposta principal do encontro – Bem-Viver – trata de um resgate da sabedoria dos povos indígenas Aymara, Quétchua e Guarani, especialmente do testemunho de equilíbrio e harmonia na relação com a Mãe Terra, que tais povos nos legaram.

Essa herança ganha vulto em nosso tempo, marcado pela busca insaciável de lucro e consumo, a despeito dos que passam fome, sede e frio.  Como contraponto, o Bem-Viver foi matizado, em diferentes falas e questões, com dom compartilhado, o qual gera bem estar para todos e não para alguns. Essa perspectiva nos remete ao termo hebraicoShalom. A paz integral dos seminômades hebreus não se resumia apenas à ausência de guerras, mas, sobretudo, à harmonia entre as gentes (tribos ou clãs) e uma experiência ambígua (particular e coletiva) de comunhão. Bem-Viver eShalom, portanto, são dessas palavras-símbolos que nos ensinam e nos indicam um caminho à vida saudável e ao viver harmônico.

Por mais utópica que essa caminhada pareça, há na história marcas profundas que animam nossa esperança e nossas lutas por uma nova sociedade. Marcas como as deixadas pelos/as mártires. No encontro era possível passar algum tempo na “Tenda dos Mártires”, seja para silenciosamente lamentar pela violência que abreviou a vida de tantos/as, seja para aprender com o testemunho desses/as ou ainda para se entusiasmar com a coragem que envolve as palavras e gestos de pessoas como Santo Dias da Silva. 32 anos após seu martírio, decorrente da reação violenta da polícia contra uma greve de metalúrgicos (São Bernardo do Campo, 30 de outubro de 1979), os/as encontristas fizeram uma caminhada memorial, na qual cânticos, preces, sorrisos e lágrimas embalavam sonhos por um novo advento.

Na simpática cidade de Embu das Artes, entre os dias 28 e 30 de outubro, experimentamos de diferentes fontes. Não obstante, essas águas eram de diversas etnias, religiões e convicções políticas. Características que não estavam em atrito, antes sim serviam como alimento da atitude profética que nosso tempo demanda. O profeta analisa a situação e ameaça os poderosos, a partir da chama que Javé acende em seu coração, conforme a nos ensina a Bíblia Hebraica. Ver, escutar e estar sensível são partes integrantes da Profecia e indicam gestos em falência na sociedade sob a égide do “Capitalismo selvagem”. Essa dimensão profética do Bem-Viver (e do Shalom) leva-nos, incontornavelmente, a denunciar as opressões dos poderosos contra o povo – minoria imperial que rege a maioria dos sem-direitos. Por essa razão, as propostas de libertação e Bem-Viver estão junto da Profecia, a saber: Esperança; Justiça; Paz e Partilha. Horizontes críveis e caminhos possíveis para aquelas/es que ainda desejam uma sociedade alternativa ao capitalismo neoliberal e sonham com “nova terra e novo lar”.

Por Hugo Fonseca

(Integrante da REJU-SP, Professor de Teologia na UMESP e leigo da Igr. Metodista)