Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

REJU participa da 10ª Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas

Alexandre Pupo Quintino

Participar de uma Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas foi um sonho para mim desde que comecei a me envolver no movimento ecumênico. Apesar de saber que o ecumenismo de verdade acontece na base, nas comunidades, nas paróquias, nos bairros e cidades, a perspectiva global é essencial para o próprio conceito de Ecumenismo.

Durante os últimos 20 dias trabalhei com 120 stewards. Jovens de todo mundo que, como eu, deixaram suas realidades, ou melhor, trouxeram um pouco delas, para Busan. Aqui nós recebemos formação e tivemos espaços de discussão e compartilhamento; além de trabalhamos na Assembleia. Fui designado para o grupo de Liturgia e Música. Nosso grupo era composto por brasileiros, canadenses, americanos, jamaicanos, coreanos, egípcios, polinésios, finlandeses, alemães, suíços, franceses. Metodistas, batistas, anglicanos, luteranos, ortodoxos, coptas, reformados, unidos.

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De partida já temos muitos desafios culturais e de respeito às diversidades.  Imagine pensar em uma celebração que agrade a todos, não ofenda ninguém, e ao mesmo tempo seja significativa. Aí está a beleza do movimento ecumênico. Sob o tema “Deus da vida, guia-nos à Justiça e à Paz”, nossas diferenças se tornam pequenas no distanciamento, e grandes na beleza da diversidade dos dons de Deus. Cantamos em cantos gregorianos e árabes, oramos em voz alta com os coreanos, cantamos ao ritmo do tango argentino e com os tambores tradicionais da Coreia. A mensagem era uma, apesar das formas diversas. Essa grande diversidade nos lembra do primeiro ponto do tema da Assembleia: Deus da Vida. O nosso Deus é um Deus de Vida. Ele nos deu ela através do seu sopro, se submeteu a ela através do seu filho e com ela venceu a morte através da Ressurreição. Como cristãos e cristãs somos convidados a viver essa Vida, esse dom, essa dádiva. As diferentes culturas nos lembram da extensa dimensão desse conceito. A vida vence a morte, a vida é maior do que tudo que podemos entender dela, o nosso próprio Deus é vida.

Nestes dias ouvimos histórias e compartilhamos relatos de situações que afetam nossos contextos e nossas comunidades. Noticias de jornal, tão distantes de nós, como as situações na Síria ou no Paquistão, se tornam muito mais próximas quando as ouvimos direto daqueles que vivem na pele estas situações. Choramos com o relato do Genocídio Armênio, com as histórias do Apartheid na África do Sul, com a situação ainda sem resolução dos nossos irmãos palestinos. Aprendemos sobre    questões de gênero e violência contra a mulher, sobre a história da Liberia, sobre a divisão das Coreias. Olhando tudo isto, fomos desafiados por esse nosso Deus que é Vida. Sigamos em direção à Justiça e à Paz. A voz profética não terminou com os profetas do antigo testamento ou com a ascensão do Cristo, ela seguiu como um mandamento à todos aqueles que estivessem dispostos ao discipulado de Jesus. Denunciar o pecado da injustiça, da morte, da opressão, da desigualdade, da guerra; e Proclamar o ano aceitável, a justiça, a paz, a vida plena, o Reino; é o que une cristãos do mundo inteiro ao Corpo de Cristo. É isso que nos lembra a própria Eucaristia, o Cristo que se faz realmente presente quando há partilha.

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Olive, uma coreana com quem tivemos o prazer de conviver durante estes últimos dias, nos disse numa reunião com os stewards de nosso grupo de liturgia e música:

“Vocês sabem que a sociedade coreana tem muita hierarquia e diferentes formas de tratamento de acordo com a sua idade. Hoje eu me dei conta que estamos trabalhando num comitê junto com dois dos mais famosos regentes da Coréia. Um deles inclusive me deu aula. Porém, aqui nos tratamos como iguais, todos dão suas opiniões, as discordâncias são reconhecidas e a igualdade prevalece, parece o Reino de Deus”.

Em cada encontro e desencontro, oração, culto, conversa e jantar, nós tivemos a oportunidade única de viver essa experiência de diversidade e igualdade, unidade e respeito. Tudo foi muito intenso e vou levar muito tempo para entender o que realmente foi tudo isso, o quanto tudo isso mudou minhas perspectivas, aqueceu minha fé, renovou minha experiência com Deus. E como ao fim de cada viagem, eu me lembro do sábio ensinamento de meu avô:

“Em uma viagem, o mais importante não são os lugares que você vai conhecer, as fotos que você vai tirar, mas as pessoas com que você vai encontrar pelo caminho que vão marcar sua vida”.

Esta caminhada ecumênica é como uma grande peregrinação, na qual vamos encontrando pessoas diferentes que podem até se estranhar de princípio, mas que aos poucos se percebem caminhando na mesma direção. Então, os passos começam a entrar no mesmo compasso ao som da canção do Deus da vida, e é nessa hora que lá no horizonte é possível começar a vislumbrar o Reino de Justiça e Paz. Somos todos peregrinos.

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REJU participa da 10ª Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas