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Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

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REJU participa de debate na Comissão de Educação da ALESP sobre as recentes manifestações populares

Da Redação da ALESP: Monica Ferrero. Fotos: Maurício Garcia

A Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa promoveu, no dia 2/7, a audiência pública O Brasil na cabeça - Essa é a hora de pensar sobre o país que queremos, para debater as recentes manifestações de rua ocorridas durante o mês de junho de 2013. Foram convidados para o debate os jornalistas Breno Altman e Renato Rovai. 

A iniciativa foi do presidente da comissão, deputado João Paulo Rillo, e dos deputados Adriano Diogo e Carlos Neder, todos do PT. Rillo justificou a audiência pela necessidade de se fazer, neste momento, "uma reflexão coletiva para aprofundar o debate sobre os temas levantados entre os manifestantes, como a qualidade da educação, melhores salários para professores, mobilidade, direito à cidade, entre outros. 

Editor da revista Fórum, Renato Rovai primeiramente contextualizou as manifestações populares de rua, citando a rebelião de Chiapas, em 1994, a primeira a ter divulgação pela internet, considerando-a o "movimento fundador das lutas além dos veículos de mídia tradicionais", passando pelo primeiro Fórum Social Mundial, em 2001, cujo lema era "Outro mundo é possível". 

Rovai comentou as diversas pautas das ruas e disse que está feliz com as manifestações, que "abriram uma janela de esperança para o reflorescer dos projetos" no país. O debate é importante, pois "os movimentos de junho em todo Brasil embaralharam todas as peças da classe política nas eleições de 2014", e o melhor caminho é dialogar na busca de um novo modelo e essa é a responsabilidade dos democratas. 

Reformas necessárias 

Para o jornalista Breno Altman, diretor do site Opera Mundi e da revista Samuel, o debate é importante pois aumenta a possibilidade de achar caminhos, uma vez que com essas manifestações "o sistema político brasileiro explodiu". Ele relativizou a força da internet nas manifestações, que lembrou terem crescido após a violenta repressão policial havida em São Paulo em 13/6, que levaram também a uma mudança de opinião por parte da mídia, que deixou de condenar as manifestações. Exemplo disso é o fato de, pela primeira vez em sua história, a TV Globo ter feito um editorial de cinco minutos pedindo desculpas à população pelo seu posicionamento.

Para ele, a origem do movimento está no esgotamento dos projetos sociais de sucesso levados a cabo pelas gestões na presidência do Partido dos Trabalhadores, que incluíram o desmonte da política neoliberal dos governos anteriores. As mudanças sociais feitas nas últimas gestões "bateram no teto", e não é possível avançar, pois não foi colocada em debate a ruptura do sistema político. 

É preciso criar uma nova estratégia, para fazer melhor e mais rápido as reformas de base que são necessárias. Não basta mais ampliar os serviços, é preciso dar qualidade. Uma das propostas defendidas por Altman foi uma reforma tributária que "arranque dinheiro dos ricos" para financiar as mudanças da sociedade. "O desafio histórico é imediato, e a esquerda está atrasada nisso", disse Altman, para quem as análises dos fatos ainda precisam ser maturadas.

Representante do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), onde participam diversas organizações que participaram das manifestações, Daniel Souza, facilitador nacional da Rede Ecumênica da Juventude, falou das propostas levadas à presidente Dilma no último dia 21/6. Dentre estas propostas, estão maior fatia do PIB e os lucros do pré-sal para a Educação, o combate ao extermínio da juventude negra nas periferias, a efetivação do Estado laico no Brasil e questão do transporte público como direito e não serviço. Souza disse ainda que o governo estadual não quis diálogo com o movimento. 

Nova realidade 

Alguns dos parlamentares presentes à audiência pública manifestaram seu apoio à sua realização, que ajuda a esclarecer, como disse Francisco Campos Tito (PT), o "quadro tão novo que estamos vivendo". "Com esse debate de alto nível, nós crescemos", disse Telma de Souza (PT). 

Leci Brandão (PCdoB) preocupou-se, além da situação dos jovens negros, com o fato de, na prática o Estado não ser laico, pois "a agressão religiosa está sendo configurada na questão política". Para ela, certas camadas da população sentem-se incomodadas pelo fato de que desde 2003 é feita uma política em prol do povo, e também pelo fato de estar uma mulher na presidência. 

Edson Ferrarini (PTB) apontou o excesso de partidos políticos e as composições necessárias para manter maioria no Congresso Nacional como uma distorção política. O Brasil, por conta desse loteamento de cargos, é ingovernável, disse Ferrarini. 

A seguir, foi dada a palavra ao público presente, com comentários dos jornalistas convidados. Participaram ainda da reunião os deputados Carlos Giannazi (PSOL), Adriano Diogo e Edinho Silva (ambos do PT). A audiência pública foi registrada pelo Movimento Fora do Eixo e será transmitida pelo site www.postv.org.

REJU participa de debate na Comissão de Educação da ALESP sobre as recentes manifestações populares