Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

REJU-PE: Juventude, direito a cidade e justiça ambiental

28-11-2012

César Ramos

A Rede Ecumênica de Juventude de Pernambuco (REJU-PE) participou, nos dias 9 e 10 de novembro, em Olinda-PE, do seminário promovido pela FASE-Recife, com a temática: Juventude, Direito a Cidade e Justiça Ambiental.  Na ocasião, avaliaram-se as atividades desenvolvidas ao longo do ano de 2012, além de serem programadas ações conjuntas para o ano de 2013. 

No encontro, a REJU-PE apresentou o documentário Águas do Jaboatão, que aborda a problemática do saneamento ambiental na segunda maior cidade do Estado de Pernambuco, Jaboatão dos Guararapes.

DISCUSSÃO

A cidade, como espaço socialmente produzido, é ocupada e apropriada de forma desigual, em função das classes sociais que a compõe. Nessa divisão, coube a população pobre, negra e marginalizada ocupar as áreas de risco ambiental. A verdade é que a degradação ambiental não é democrática, pois, pobres e ricos sofrem de forma desigual perante as catástrofes ambientais e, nem tão pouco, são os pobres os causadores desse desequilíbrio, antes, são, juntamente com o meio ambiente, suas principais vítimas. 

Os pobres são os mais afetados diante dos desequilíbrios ambientais pelo fato de o território, seja ele urbano ou rural, ser ocupado de forma distinta, em função das classes sociais. Sobre a égide do capitalismo, o espaço urbano foi sendo ocupado, e urbanizado, de forma seletiva, cabendo aos ricos as áreas com maior facilidade de circulação, oferta de bens e serviços e dotadas com as amenidades ambientais mais favoráveis (orlas, planícies e as áreas centrais); aos pobres, por outro lado, a parte lhe coube na cidade, foram as áreas rejeitadas pelo mercado imobiliário, que são, em sua maioria, áreas inundáveis (fundos de vales, várzeas e beiras de córregos, lagoas e rios), áreas com risco geotécnico (encostas, topo de morro, etc.) ou qualquer outra área desprovida de atrativos comerciais para o mercado.

Além dessas condicionantes “naturais”, desfavoráveis ao habitat dos pobres, há outros fatores agravantes, que são estes, por sua vez, de ordem política. A localização das maiores indústrias poluidoras ocorrem, justamente, nas circunvizinhanças dos bairros mais pobres das cidades, sobre tudo, em sua periferia. Esse modelo doentio de crescimento urbano gerou as cidades que conhecemos hoje, onde as áreas com maior vulnerabilidade ambiental coincidem com as áreas da cidade onde reside a população mais empobrecida, sendo estes, por estarem nas áreas ambientais mais frágeis, os primeiros a sofrerem diante das mínimas mudanças ambientais.

Os pobres e o meio ambiente são igualmente vítimas do modelo predatório de crescimento econômico capitalista. Por isso mesmo, a luta pela preservação ambiental deve se confundir com a luta por justiça social. As classes sociais mais abastardas, embora sejam as principais responsáveis pela crise ambiental, com o seu padrão de consumo, estão menos sujeitas aos efeitos negativos dessa produção, pois possuem meios de se protegerem diante das mudanças ambientais, já os pobres, mesmo possuindo um padrão de consumo muito abaixo do mínimo recomendado, acabam por arcar de forma desproporcional com o ônus do crescimento econômico dos ricos por estarem espacial e socialmente mais expostos as fontes emissoras de poluição.

REJU-PE: Juventude direito a cidade e justiça ambiental