Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

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REJU-RJ: Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é celebrado no Rio de Janeiro

31-01-2013

No dia 21 de janeiro, a Cinelândia, uma das praças principais do Rio de Janeiro, foi cenário de um grande evento de combate à intolerância religiosa. Estavam lá durante todo o dia refletindo coletivamente e pedindo respeito à liberdade religiosa adeptos do Candomblé, Umbanda e Xamanismo; espíritas, mulçumanos, budistas, católicos, protestantes, judeus, Hare Krishnas e diversas tradições de fé.

A inspiração do evento e do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa – oficializado pela Lei nº 11.635 como 21 de janeiro desde 2007  – é mãe Gilda. No ano de 1999, Mãe Gilda, então Ialorixá do Terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, localizado em Salvador, faleceu. Mãe Gilda tinha a saúde fragilizada e piorou após o choque de ver sua foto publicada no jornal da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) relacionada a uma reportagem sobre charlatanismo. O título dizia: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. A foto do jornal da IURD foi tirada em 1992 quando Mãe Gilda participava de manifestações em favor do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello. Logo após a morte da mãe, sua filha e atual Ialorixá da casa, Jaciara Ribeiro dos Santos, moveu uma ação contra a IURD, por danos morais e uso indevido da imagem de Mãe Gilda. Procurados por Jaciara, os advogados de KOINONIA (Convênio AATR-BA) passaram a representar a família na ação, por meio da assessoria do programa EGBÉ – Territórios Negros.Em 2009, estabeleceu-se um acordo entre as partes, mediado pelo Ministério Público, que obrigada a IURD a publicar uma retratação no jornal Folha Universal, e a pagar indenização para a família de R$ 145.250,00.  O Superior Tribunal de Justiça confirmou, também por unanimidade, a condenação da Igreja Universal do Reino de Deus.

Cantando a gente se entende foi o nome do evento do Rio de Janeiro promovido pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), KOINONIA e Movimento Inter-Religioso (MIR). O evento contava com uma tenda formada por 15 estandes de diferentes religiões e por instituições que lutam pela liberdade religiosa e um palco central onde aconteceram diversas apresentações celebrando os quatro elementos: terra, fogo, ar e água.  Paralelo às manifestações da tenda, o evento contou com o seminário Caminhos para a Liberdade Religiosa, no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), aberto ao público.

  

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As atividades do dia foram abertas pelas falas dos organizadores que destacaram a importância do dia para conscientização sobre o direito à liberdade religiosa. “Nessa praça aconteceram muitas lutas, hoje lutamos pela liberdade religiosa e para transformar a vida em comunidade. Nós de KOINONIA queremos e lutamos por uma comunidade com direitos de todos e todas professarem ou não a fé,” destacou Rafael Soares de Oliveira, diretor executivo de KOINONIA. A fundadora da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) Fátima Damas destacou a necessidade de que o Ministério da Justiça e a sociedade civil atue contra as emissoras de TV que agridem algumas religiões como a umbanda.

Os depoimentos dos participantes da tenda seguiram o mesmo sentido: A mulçumana, Rukikaia Raci afirmou que o evento faz as pessoas pensarem e que muitos que passaram pela tenda durante todo o dia 21 de janeiro não tinham noção do que é intolerância religiosa. Já Zeni Duarte, umbandista da casa do Pai Benedito, localizada em São João do Meriti (RJ), disse que estava participando das ações para pedir respeito à diversidade. Cantando a gente se entende também atraiu a juventude ecumênica: Para Cíntia Maria, facilitadora da Rede Ecumênica de Juventude (REJU) Rio, e Jaqueline Lopes, participante da rede, o evento faz diferença na luta contra a intolerância. Jaqueline que freqüenta a Igreja Metodista disse que faz parte da rede porque as ações que o grupo participa vivem a experiência do ecumenismo e que um evento como o Cantando a gente se entende provoca esclarecimento.

  

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No Seminário Caminhos para a Liberdade Religiosa foram discutidos os temas intolerância Religiosa e meio Ambiente; formas de combate à intolerância religiosa; um plano nacional de combate à intolerância religiosa; e intolerância religiosa na educação. As mesas foram compostas por diversas autoridades governamentais e representantes da sociedade civil. Entre os destaques, os palestrantes reafirmaram a importância de se reforçar que o Estado seja laico, mas que garanta a liberdade religiosa. Outro ponto abordado foi a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas públicas. As aulas muitas vezes propagam a intolerância religiosa, principalmente contra os estudantes adeptos do Candomblé e Umbanda. O plano nacional de combate à intolerância religiosa não foi discutido, mas as autoridades presentes, entre elas a representante da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e Cláudio Nascimento Superintendente  Direitos Individuais, Coletivos e Difusos (SUPERDir), se comprometeram a participar de um reunião de trabalho, que será anunciada pela Comissão de Combate `a Intolerância Religiosa.  O evento foi encerrado com apresentações musicais de representantes de diversas religiões como o Ogã Bambada e Arlindo Cruz.

  

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Fonte: www.koinonia.org.br

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