Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

REJU-SP: Jovens participam do ato ecumênico pela Memória, Verdade & Justiça!

13-11-2012

Wanderson Campos

No dia 2 de Novembro, ocorreu no cemitério de Vila Formosa um momento marcante para a caminhada ecumênica e para a caminhada de luta pela Memória, Verdade & Justiça. Reunidos, num sentido de luto e de esperança nós nos lembramos das vidas tiradas e desaparecidas no período da ditadura militar. O ato ecumênico em memória dos mortos e desaparecidos foi um momento que jamais poderei me esquecer.

Foi em cima dos túmulos onde se estima que tenham sido enterrados dez corpos como indigentes, que um culto foi celebrado. Lá nós cantamos canções, ouvimos depoimentos e assim sentimos em nossos corações a real mensagem que aquele momento tão impar desejava passar.

O desejo de justiça pelas torturas do passado que foi expresso nos testemunhos de familiares, amigos e de pessoas que sofreram as torturas foi algo que mexeu em muitos corações presentes.  Além das palavras, muitas fotos foram levadas para que os rostos dessas pessoas nunca sejam esquecidos, mas que continuem representando um desejo de justiça, verdade e liberdade para todo o povo brasileiro.

O evento contou com a participação de um padre católico, um pastor presbiteriano, pastores metodistas, o Coro Luther King e a presença de representantes do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs), KOINONIA, CLAI (Conselho Latino Americano de Igrejas) e REJU (Rede Ecumênica da Juventude). Além dos depoimentos de pessoas que viveram aqueles momentos que muitos não querem lembrar, também tivemos a participação de um jovem, que preferiu não se identificar, que relatou das atrocidades e das matanças que vem ocorrendo em São Paulo e a participação do deputado estadual Adriano Diogo (PT), que relacionou o terrorismo de Estado do período da ditadura às mortes que estão ocorrendo hoje na periferia.

O Cemitério da Vila Formosa fica na zona leste da cidade é considerado o maior da América Latina e representa tão fortemente as mortes de pessoas como Joelson Crispim, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), desaparecido em 1970; Isis de Oliveira, militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN), morta em 1972 e Virgílio Gomes da Silva, o Jonas, outro militante da ALN e um dos organizadores do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em 1969 que tiveram familiares presentes.

Contudo aquele momento não foi somente de luto, as palavras os cartazes nos lembravam da dor de muitos, mas as lágrimas que foram derramadas naquela terra serviram para regar muitos corações. Corações que buscam justiça e que não desejam mais que coisas terríveis como essas precisem acontecer para que os direitos do povo sejam realmente respeitados.

Aquele espaço, o cemitério, nos lembra da morte, mas nesse dia 2 de novembro deu lugar a esperança. Esperança de que a luta por algo maior não ficará jamais esquecida. Dessa forma termino esse relato simples, mas verdadeiro do que meu coração sentiu, utilizando as palavras de Luciano Lima: “Creio na ressurreição do corpo, memória dos corpos oprimidos, mas que pela força da justiça, amor encarnado, não (se perderam e nem) se perderão no vazio...”. Dessa forma, nós levaremos flores, juntos/as em nossa canção, carregando colorida coroa para a porta do abismo e semearemos sobre os túmulos a esperança. E com o brotar da primavera, nossos corpos perdidos ressurgirão... E nesse dia, a indignação e a saudade encontrarão o seu derradeiro sentido...

Então... Cantemos: “Minha jangada vai sair pro mar, vou trabalhar meu bem querer. Se Deus quiser quando eu voltar pro mar, o peixe bom eu vou trazer. Meus companheiros também vão voltar e a Deus do céu vamos agradecer”.

Verdade & Justiça! REJU-SP: Jovens participam do ato ecumênico pela Memória