Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Reju sp participa do ato de repatriação dos documentos da ditadura!

10-06-2011
A REJU-SP participará do ato de repatriação dos documentos do Brasil: Nunca Mais! Um importante momento para a criação de uma comissão da verdade e um sinal da relevância e história do movimento ecumênico.

Outras informações:
 O material será destinado à implantação do Projeto Brasil Nunca Mais Digit@l, que tornará disponível na internet todos os documentos do acervo, fomentando seu acesso para pesquisas pela sociedade civil.O Projeto Brasil Nunca Mais Digit@l é uma iniciativa do Ministério Público Federal, Armazém Memória e Arquivo Público do Estado de São Paulo, com o apoio do Arquivo Nacional, do Center for Research Libraries (CRL) dos Estados Unidos, do CMI, do Instituto de Políticas Relacionais e da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio de Janeiro.

A programação do evento, que terá início às 14h30, inclui a apresentação do Projeto Brasil Nunca Mais Digit@l

Após homenagem às pessoas que se dedicaram ao “Brasil: Nunca Mais”, como dom Paulo Evaristo Arns, reverendo Jaime Wright (in memoriam), Paulo Vannuchi e Eny Raimundo Moreira, Eliana Rolemberg e Anivaldo Pereira Padilha, que sofreram abusos nos tempos da ditadura e estão envolvidos no trabalho do movimento ecumênico no Brasil, apresentarão testemunho da época.

"A importância desse evento não pode ser subestimada. É a primeira vez que a participação de evangélicos e do movimento ecumênico brasileiro na luta pelos Direitos Humanos e pelo retorno do Brasil ao regime democrático receberá reconhecimento público", afirmou Padilha.

O acervo será entregue ao Procurador Geral da República pelo secretário geral do CMI, pastor  Olav Fykse Tveit, e pelo moderador do organismo ecumênico, pastor brasileiro Walter Altmann.

O projeto Brasil Nunca Mais teve início em plena ditadura militar (1964-1985), quando grupo de religiosos e advogados tentou obter, junto ao Superior Tribunal Militar (STM), informações e evidências de violações aos direitos humanos, praticadas por agentes do aparato repressivo. Do projeto originou-se o livro com o mesmo nome – uma compilação com cerca de 5% de toda a documentação levantada no STM.

Os mentores do projeto – em especial a advogada Eny Raimundo Moreira e a equipe do escritório Sobral Pinto – perceberam que os processos poderiam ser reproduzidos, aproveitando-se do prazo de 24 horas facultado pelo Tribunal de retirada dos autos para consulta.

A ideia foi acolhida pelo reverendo da Igreja Presbiteriana, Jaime Wright, e pelo cardeal da Igreja Católica, dom Paulo Evaristo Arns, que resolveram comandar as atividades a partir de São Paulo. Os recursos financeiros para o projeto foram obtidos com o secretário-geral do CMI.

As cópias dos processos eram remetidas de Brasília a São Paulo. Diante da preocupação com a apreensão do material, a alternativa encontrada foi microfilmar as páginas e remeter os filmes ao exterior.

Após seis anos de trabalho em sigilo, a tarefa foi finalizada, com a reprodução de 707 processos, totalizando cerca de um milhão de cópias em papel e 543 rolos de microfilme. Foi produzido, ainda, um documento-mãe denominado "Projeto A", com a análise e a catalogação das informações constantes dos autos dos processos judiciais em 6.891 páginas dividas em 12 volumes.

Considerando a dificuldade de leitura e até de manuseio deste trabalho, foi idealizada a confecção de um livro que resumisse o documento-mãe em um espaço 95% menor. Para operacionalizar a tarefa, foram escolhidos os jornalistas Ricardo Kotscho e Carlos Alberto Libânio Christo (Frei Betto), coordenados por Paulo de Tarso Vannuchi.

Em 15 de julho de 1985, quatro meses após a retomada do regime democrático, foi lançado o livro "Brasil: Nunca Mais", pela Editora Vozes, publicação que mereceu destaque na imprensa nacional e internacional. O livro foi reimpresso 20 vezes somente nos seus dois primeiros anos. Atualmente, ele está na 37ª edição (2009).

Dom Paulo decidiu doar toda a documentação do projeto, para torná-la pública. A Universidade Estadual de Campinas aceitou a documentação, com a promessa de disponibilizar amplamente o material para consulta e permitir sua reprodução. Os 543 rolos originais de microfilmes com o conteúdo integral dos 707 processos foram enviados ao "Latin American Microform Projetct", mantido no CRL.

Atualmente, o Ministério Público Federal constatou que parcela do acervo de cópias dos processos do STM, mantido na Unicamp, sofreu prejuízos com o correr do tempo. Identificou-se, por exemplo, ausência de páginas essenciais, sobretudo de depoimentos de presos políticos prestados nas auditorias militares, nos quais denunciavam torturas, inclusive com a menção a nomes de torturadores.

A partir desse diagnóstico, o MPF, em conjunto com o Armazém da Memória, percebeu a necessidade de se digitalizar os processos do "Brasil: Nunca Mais", ou seja, as cópias dos 707 processos. A solução técnica indicada é a digitalização dos rolos de microfilmes mantidos nos EUA.

(Fonte ALCnotícias)
Informes: Daniel Souza

Rede Ecumênica da Juventude - REJU SP

Nenhum comentário..

Leave a reply

Your email address will not be published.