Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Notícias

Sobre o caso de Orlando, a Cultura da Morte e a nossa Fé

Por Sandson Rotterdan [1] e Jonathan Felix [2]

Cinquenta, dois, muitos/as, alguns/algumas. Nossa cultura quantitativa tenta compreender as causas da morte de pessoas. Terrorismo? Homofobia? Pobreza? Frio? As causas são diversas. Esquecemos, por vezes, que para além dos números e das causas essas mortes são produtos de um sistema produtor de morte.

Jovens que estavam em uma boate, pobres que dormiam nas ruas, mulheres estupradas. Mortos/as! Essas mortes e estupros clamam aos céus! Esse sangue sinaliza à nossa sociedade que é tempo de parar, rever, construir outras sendas. Como cristãos temos que questionar a sinceridade da nossa tradição religiosa. O Deus humanado que se rebaixou à nossa condição para elevá-la teria dito que é quando servimos àqueles/as que são desprezados/as pela cultura da morte é que, de fato, que nos faz seguidores/as da boa notícia que ele deu ao mundo. No entanto, muitos/as continuam a, como o fariseu Simão, apontar os pecados e, em nome de uma lei, condenar. Talvez nós nos esqueçamos que o horizonte da lei não é condenar, mas nos conduzir ao deserto da liberdade e do deserto à terra da promissão, a terra sem males.

Em nome do Deus da vida aplaudimos a morte. Nos afastamos das “coisas do mundo”, tornando-nos insensatos/as e duros/as de coração, conforme denunciou Jesus.

Nessa mea culpa cristã, gostaríamos de convidar as irmãs e aos irmãos de outras tradições religiosas e aos e às que não têm religião ou não crêem, para dialogar acerca da necessidade de nossas tradições construírem práticas libertadoras a acerca dos preconceitos que matam e constroem um ódio sem sentido.

Precisamos compreender que somos formadores/as de pessoas e que essas pessoas agem de acordo com a fé e valores que compartilhamos, que essas pessoas se orientam e compreendem o mundo a partir do que creem. Construir essa prática ecumênica, com ressalta Devis Macedo [3], “implicará em uma postura de constante diálogo e critica de nosso jeito de ver, entender e agir no mundo. ”

Se, de fato levarmos nossos valores religiosos a sério, os mais fundamentais, aqueles que nos convencem a optar por nossas tradições religiosas, certamente sairemos de nossos templos para construir uma sociedade menos desigual, menos desrespeitosa com as diversidades. Precisamos de caridade, compaixão, justiça, axé, shalom, awerê. Precisamos reencontrar nossos valores fundamentais e, a partir de o que é bom em nós construir pontes e não muros.

Enquanto nos fechamos em nossas compreensões imutáveis acerca daquilo que vemos por um espelho, há gente perdendo a vida. A história nos cobrará.


[1] Sandson Rotterdan, Mestre em Ciências da Religião, Teólogo e Filósofo.
[2] Jonathan Felix, Facilitador Reju Minas.
[3] REJU: uma proposta da presença “público-ecumênica” da fé cristã, publicado pela Editora Reflexão.

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