Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

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Um inocente foi morto

16-04-2017

por Angelica Tostes - REJU São Paulo

Um inocente foi morto. Raíssa estava sendo espancada quando Luis Carlos Ruas a defendeu de seus agressores – Luis, espancado até a morte. Maria Eduarda estava na escola. 13 anos. Baleada dentro do pátio da escola. Morta. Dandara dos Santos, uma santa. Humilhada, torturada, morta. Marinalva Manoel. Líder indígena. 27 anos e 35 facadas. Mortos. Desprezados e rejeitados pela sociedade, homens e mulheres de tristeza e familiarizados com o sofrimento. Pessoas de quem os outros escondem a face, desprezados, não os tem em estima. Pessoas das quais a vida é o próprio protesto. Perguntam “Senhor, Senhor, por que me abandonaste? ”.

Jesus. Morto. Crucificado. A religião abraçou o Estado e eles juntos massacraram o corpo de um inocente. Diferente de hoje? A crucificação não aconteceu no passado, ela acontece nas nossas cidades. Acontece quando o presidente dos Estados Unidos ataca uma superbomba no Afeganistão. Quando os direitos trabalhistas são rasgados. Quando as terras dos indígenas são tomadas pelo capital. Quando os movimentos sociais são criminalizados. Quando os jovens negros são exterminados nas periferias. Quando a violência contra a mulher negra aumenta desenfreadamente. A crucificação acontece também quando um desastre ecológico como Belo Monte acontece e nada é feito. Quando o desmatamento ocorre, todos veem e todos se calam.

O silêncio contra o opressor é o grito para crucificar o inocente.

 O Filho de Deus não foi crucificado apenas uma vez. Ele é crucificado todos os dias. No pranto das crianças que perderam seus pais na guerra. Nos gritos de uma mãe chorando pelas suas crianças mortas em um tiroteio. Nas lágrimas dolorosas de um marido que perdeu toda sua família em uma explosão. Não, Jesus não morreu uma vez. Ele morre todos os dias.

 E nós, como Pedro, o negamos. Negamos todos os dias também. Quando nosso coração se torna insensível as atrocidades que ocorrem no mundo, no nosso país, no nosso estado, na nossa cidade, no nosso bairro, na nossa rua, em nossas casas. Quando nós decidimos fingir que tudo está bem, que nada de mal acontece. Quando não agimos em prol do Jesus crucificado em diversos corpos. Mulheres, homens, negros, grávidas, transvestis, transexuais, pobres, periféricos, sírios, haitianos, brancos, gays, lésbicas, jovens, velhos, crianças.

 “Por que me abandonaste? ”  Nós abandonamos. Nós fechamos nossos olhos e nos apartamos do crucificado de hoje. Nós crucificamos.  “Por que me abandonaste? ”  

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