Pela Promoção dos Direitos das Juventudes

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

Democratização das Comunicações

“_Ei, eu quero falar!” 

Quantas vezes essa frase é ouvida no meio de uma discussão ou debate? Quem fala e quem ouve? As pessoas querem dizer aquilo que pensam e hoje isso é percebido como um direito fundamental, o direito à comunicação.

O jeito como o mundo é visto ou a forma como se dá sentido às coisas mudam de acordo com o que se ouve e o que se vê. Sabe-se que algumas pessoas tem mais facilidade em falar do que outras, mas, será que sempre que se quer falar a voz é ouvida? Sempre que se quer mostrar algo a imagem é transmitida? As comunicações existentes carregam a várias opiniões existentes e conseguem transmiti-las a quantas pessoas? As opiniões de quem chegam a mais pessoas?

Não é raro que a gente se surpreenda com o que é veiculado por aí, seja nas publicações impressas, no rádio, na televisão e até mesmo na internet, principalmente quando essas publicações falam sobre nós ou sobre pessoas e instituições que a gente conhece. Parece que quem está falando não entende nada do que realmente está acontecendo e ficamos com a impressão de que existe uma intenção de não mostrar os outros pontos de vista. Isso pode até ser real, mas o mais importante seria a gente se perguntar por que a nossa opinião, o nosso ponto de vista não chega muito longe e, sem que a gente perceba, um assunto começa e de repente está todo mundo falando a mesma coisa.

A realidade é que são poucas as pessoas que escolhem o que vai ser espalhado por aí através dos meios de comunicação de massa, inclusive a internet, ainda que ela seja um meio mais democrático e que não é necessariamente um meio de comunicação de massas já que quem escolhe o que verá é a pessoa que está na frente do computador, porém, os sites mais acessados são sempre os mesmos, as notícias são sempre muito parecidas, e as opiniões vão se repetindo. 

Democratizar as comunicações é algo importante e necessário, não pensando apenas nos meios de comunicação de massa, jornais impressos, rádio e televisão, mas também pensando em formas de demonstrar a democracia nas comunicações nas práticas do dia-a-dia. É preciso se atentar. Quando estamos numa roda de diálogo, existe a preocupação de que todos falem? Numa mesa de debates, há diversidade entre as pessoas convidadas? A prática democrática no dia-a-dia leva a discutir e a se incomodar com as práticas não democráticas em outras esferas. 

Com isso, não se pretende negar que as rádios e canais de televisão hoje em dia estão nas mãos de poucas pessoas e que estas pessoas não se parecem com a maioria do povo. Ao contrário, fazem parte de elites econômicas, políticas e religiosas. Aliás, uma grande parte delas está funcionando de forma ilegal. E olha que a lei é muito antiga. É por isso, porque não vemos nosso rosto, não ouvimos nossa voz e não percebemos a diversidade tão necessária para a construção de um mundo onde caibam as diferentes formas de expressão cultural, de informação e de interpretações distintas de mundo é que afirmamos ser muito necessária a democratização das comunicações para podermos falar e ser ouvidos em nossas diferenças! 

A partir das deliberações do Encontro Nacional   REJU em 2014, o eixo Juventudes e Democratização das comunicações, será pautado através de linhas de ações específicas para o biênio 2015-2016:

  • formação com rodas de diálogo, arte-educação e oficinas;
  • construção de parcerias: ex: RENAJOC;
  • divulgação das ações realizadas pelas REJUs com produções de multimídias independentes; 
  • criação de podcast mensal e vídeos de “bolso”;
  • cines juventudes.